• Susumaniello da Puglia: a uva esquecida que agora brilha no copo

    Susumaniello da Puglia: a uva esquecida que agora brilha no copo

    Há uvas que nascem com holofotes. E há outras que passam décadas a fazer o trabalho duro, caladinhas, como quem anda na vinha de costas dobradas e ninguém repara. O Susumaniello da Puglia era mesmo isso: uma casta indígena com nome cantado, difícil de pronunciar para quem não é da bota de Itália, e com carreira quase toda feita “a ajudar os outros” em lotes.

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  • As melhores adegas de Walla Walla para visitares agora mesmo (e comer e dormir sem falhar)

    As melhores adegas de Walla Walla para visitares agora mesmo (e comer e dormir sem falhar)

    Se me disseres “Walla Walla”, eu já não penso num segredo bem guardado. Penso numa terra onde o vinho deixou de sussurrar e começou a cantar alto — daqueles refrões que te ficam no ouvido. Aquela cidade no sudeste do estado de Washington, nos EUA, passou de “ah, só os entendidos é que sabem” para “isto está mesmo no mapa”. E com razão.

    mais de 120 adegas por ali, e o centro da cidade é um mimo compacto cheio de salas de prova. O povo da terra jura a pés juntos que as três faculdades da zona (incluindo a Walla Walla Community College, conhecida pelo programa de enologia) dão energia e criatividade à região — da vinha ao laboratório, e do laboratório ao copo. Junta-lhe uma hospitalidade sem peneiras, uma comunidade de enólogos que colabora em vez de se trincar, e vinhos de topo… e pronto: tens um destino que não vive só de fama. Vive de sumo.

    A seguir, levo-te pela minha lista das melhores adegas de Walla Walla para visitar agora, com paragens extra para comer e dormir como deve ser. Preparado? Então bora lá, que isto não se bebe sozinho.

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  • Vinho Kalash: a tradição sagrada que resiste nas montanhas do Paquistão

    Vinho Kalash: uma tradição sagrada que resiste nas montanhas do Paquistão

    Há vinhos que a gente bebe. E há vinhos que a gente vive . O vinho Kalash é esses: não nasce para brilhar numa garrafeira, nasce para abençoar mãos, limpar facas, acompanhar danças e segurar uma identidade inteira no sítio — ali, no meio das montanhas do Hindu Kush, no norte do Paquistão. E eu, que cresci a ouvir falar de vindimas como quem fala de família à mesa (olá, Alentejo), fico logo com a pele arrepiada: isto não é só inserido… é memória engarrafada.

    Os Kalash — um povo etnorreligioso com cerca de 4.000 pessoas — mantêm uma tradição de vinho há mais de mil anos, num país muçulmano que restringe fortemente o álcool. Parece contradição? É antes de um milagre teimoso, daqueles que só a terra sabe fazer

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